Chamada de Artigos Aberta para o 'Dossiê: Ensino de História e Política'

Chamada de Artigos: Dossiê: Ensino de História e Política


Nos últimos anos, os direitos fundamentais à liberdade de pensamento e ao reconhecimento da memória social e da História estão sob ameaça no campo educacional e social. A chamada “reforma do Ensino Médio”, a nova Base Curricular Nacional Comum Curricular e o escandaloso movimento-slogan “Escola sem partido” podem destruir a escola pública que docentes, intelectuais e os movimentos sociais têm construído a duras penas, desde os tempos de luta pelo retorno à Democracia, pela universalização e ampliação do financiamento público da educação básica no Brasil e pela afirmação dos direitos sociais dos excluídos.

A redução da carga horária de História e Geografia e a possível eliminação do currículo obrigatório, associada à noção de que o docente deve ser “isento” fortalecem os setores conservadores que pretendem transformar a Educação num falso campo de neutralidade, onde prevaleceria, o ensino técnico, objetivo e imparcial. Essa névoa ideológica, travestida de bom senso, neutralidade e modernização, tem ocultado o papel eminentemente político da Educação Pública, em nome de uma suposta partidarização dos saberes escolares, especialmente, das disciplinas de Humanidades. Concorre para esse quadro as políticas ultraneoliberais postas em prática por governos estaduais e agora o federal que em nome de reformas, reinstala a noção de capital humano, e coloca a educação a serviço de um projeto pautado pelo mercado.

Diante desse quadro, como podemos retomar a importância das lutas políticas para a construção da Escola Pública e do ensino de História? Como ensinar História Política quando o discurso da “escola sem partido” se espalha pela imprensa e vira água corrente das conversas sobre educação, e instala o medo e autocensura entre os docentes? Que experiências históricas construímos na direção de uma Educação pública e popular, capaz de contribuir decisivamente para a formação de uma sociedade mais justa e menos desigual? Ainda temos espaço para utopias educacionais, para discursos engajados pela transformação social, pela emancipação humana? Como lidar com a leitura da política em seu cotidiano, e estabelecer relações temporais com experiências do passado? Como professores podem ou devem fazer uso da História política em sala de aula?

Nosso intuito é, diante de uma agenda de reformas ultraneoliberais e avanços do discurso conservador, apresentar perspectivas, reflexões e saídas para os desafios que se estabelecem na contemporaneidade das intrincadas relações entre política e História. Esse Dossiê se propõe a reunir artigos que reflitam sobre as diversas dimensões da Política na educação básica e no ensino de História. Serão bem-vindos textos, reflexões e relatos de pesquisas sobre a história do Ensino de História e dos materiais didáticos, história e memória docente, bem como, investigações sobre a história política da Educação e sobre a Educação como campo da política.


Prof. Paulo Eduardo de Mello – Universidade Estadual de Londrina – UEL
Prof. Maurício Cardoso – Universidade de São Paulo - USP

Vol. 4, Nº 7. Jan.-Jul.2017






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Chamada de artigos para a composição do Dossiê Especial: “Memórias do Regime Militar no Brasil e uma Justiça de Transição Inacabada: vozes, propostas, estudos”.

Depois de um período de reorganização da memória dos diferentes setores da sociedade sobre o Regime Militar no Brasil – entre 1964 e 1985 –, importa-nos continuar, persistir ou retomar os estudos e as publicações em resposta às perguntas pelas novas estruturações mnêmicas que se fazem candentes. Embora a “memória social” não se confunda com a História – conforme é corrente compreender entre os historiadores, e, por conseguinte, exista, de per si, de maneira “autônoma” e “orgânica”, interessa-nos perceber as rupturas, as desconstruções, as descontinuidades e as reorganizações dos seus fios condutores. Reconhecidamente, os governos brasileiros engendraram uma “justiça de transição” tardia e inconclusa; em certos aspectos, a “justiça de transição” no país ocasionou frustrações em termos de negociações como “ajeites”, consecuções como “pesquisas realizadas” e resultados como “respostas” aos empenhos de parte da sociedade civil. No entanto, o trabalho da Comissão Nacional da Verdade e de outras comissões – merecedor de avaliações, de análises, e, por lógico, de críticas – demarcou um “tempo de memória” entre os anos de 2012 e 2014 (trata-se de uma memória maior em fase de “realinhamento”).
Decorridos mais de 50 anos do golpe civil-militar que instaurou o Regime Militar no Brasil, estimulamos, outrossim, a comunidade acadêmica à submissão de textos para publicações possíveis no Dossiê Especial: “Memórias do Regime Militar no Brasil e uma Justiça de Transição Inacabada: vozes, propostas, estudos”, na Revista Poder & Cultura, realizada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pelo Laboratório de História, Cinema e Audiovisualidades (LHISCA). Para a composição do Dossiê, estudos sobre o Regime Militar em seus mais variados aspectos – sociais, econômicos, culturais, entre outros, são bem-vindos, bem como as novas avaliações historiográficas da contestação à ditadura militar como “oposição ética”, como “desobediência civil” ou como “resistência política”. Da mesma forma, as novas análises do “modus operandi” do aparato informativo-repressivo – em seus mais diversos órgãos de atuação – são desejáveis para a composição do Dossiê. Experiências e histórias de vida, de traumas, de dramas e de tramas podem estimular a polissemia pretendida no Dossiê, pois, seja por meio de entrevistas, ou com fulcro em “documentos regulares”, entre outros aportes documentais, almejamos dar ouvidos às narrativas e às memórias de sofrimentos, de tortura, de exílio, de rupturas, de ausências e de retornos. As novas histórias sobre os movimentos sociais e com abordagem de gênero são apreciáveis para o Dossiê. Ulteriormente, importa-nos avaliar textos que contemplem as recentes concepções sobre a “justiça de transição” no país a partir de diferentes noções a respeito da CNV ou de outras comissões de verdade, assim como de iniciativas diversas dos governos ou de parte da sociedade civil. Esperamos pela contribuição dos pesquisadores dedicados às antigas e às novas abordagens sobre uma temática sempre vívida na produção historiográfica realizada no contexto de frágeis contornos democráticos no Brasil da “Exceção”, no Brasil da “Regra”.
Prof. Dr. Leandro Seawright Alonso – Universidade de São Paulo, USP.

Profa. Dra. Marta Rovai – Universidade Federal de Alfenas, UNIFAL.

Vol. 3, Nº 6. Jul.-dez.2016





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Vol. 3, Nº 5, Jan.-jun.2016




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